Ser uma pessoa mais persistente é o verdadeiro caminho para adquirir sucesso – seja financeiro, profissional, social ou pessoal, pois envolve construção, controle emocional, trabalho, sabedoria para escolher entre outras qualidades e habilidades. Uma pessoa persistente se torna mais reconhecida e cria consistência naquilo que representa.

Veja só o próprio Leonardo di Caprio, no filme “The Revenant” (O Regresso, em português). Não só a personagem, mas o ator foram persistentes – a personagem em conseguir vingança e o ator ao ser reconhecido por toda a sua carreira, recebendo o tão esperado Oscar.

Quando paro para observar os meus insucessos, ou vejo o insucesso dos outros, um dos padrões que noto é a falta de persistência.

Existe uma diferença entre persistência e insistência. Mesmo que no dicionário ambos os termos tenham significados semelhantes, no jargão de mercado, são quase antagônicas[1].

Enquanto insistência estaria associada à continuidade em uma ação que já demonstrou claramente seu insucesso, a persistência é mais conectada com a ideia de continuar a buscar o sucesso em algo, por maior ou mais rotineiros que sejam os desafios.

Simplificando, insistência seria continuar por ego, persistência seria continuar por acreditar.

Focando na persistência, tudo o que aprendi de mais nítido sobre isso foi com o Jiu-jitsu – sim, a arte marcial milenar.

Mas calma, não vou te ensinar jiu-jitsu aqui, quero apenas utilizá-lo para fazer uma metáfora e gerar dicas para você aplicar hoje mesmo – e dar o primeiro passo para se tornar mais persistente.

Sou faixa-preta de Jiu-jitsu em uma das maiores equipes do Brasil e já no início da evolução dentro da arte, aprendemos que é necessário ter persistência.

Para chegar na faixa-preta, precisei treinar por 9 anos de treinos. Algumas pessoas pegam a faixa-preta antes, outras depois, tudo depende da quantidade de esforço que você investe naquilo e na continuidade de fazer aquilo.

Tenha claro o benefício que você receberá na conclusão de um projeto, negócio ou atividade.

Veja que, desde que comecei a treinar, eu sabia que se mantivesse a persistência, eu chegaria à faixa-preta. Chegar à faixa preta era uma questão de treinar e se adequar ao que o Jiu-jitsu e meus mestres pregavam.

Adquirir a faixa preta, queiram os atletas assumir ou não, é o principal desejo e desafio. E também era o meu.

Veja bem, eu não quero que você perca cabelos aqui descobrindo o seu propósito de vida. Não pare para fazer isso, é frustrante e eu não conheço ninguém que descobriu o propósito de vida de um segundo para o outro.

Eu, em minha humilde opinião, acredito que um propósito de vida vai sendo moldado e descoberto aos poucos.

E é nisso que quero te ajudar agora: descobrir uma parte do que você poderia chamar de propósito de vida e minha proposta é pensar não NO PROPÓSITO DE VIDA amplo e complexo, mas no propósito que te levou a fazer o que você está fazendo agora (qualquer projeto ou atividade que você esteja fazendo e tem vontade de concluir).

O que você pode fazer agora: Seja em um projeto ou outra tarefa desafiadora que você tenha agora, responda: qual benefício você terá se concluir essa atividade?

Se a resposta for “nenhum”, vale a pena repensar e ver se você está “insistindo” ou “persistindo”.

Persistir significa entender que existem etapas a serem cumpridas.

Apenas definir o benefício não basta – é preciso entender as etapas antes de alcançar aquele benefício.

A ansiedade por alcançar um objetivo sem quebrá-lo em etapas é um erro que mata a produtividade, frustra as pessoas (como já me frustrou inúmeras vezes) e impede a conclusão daquele projeto.

Quando estamos ansiosos e não cumprimos as etapas (ou não sabemos quais são) tendemos a dizer que “aquilo não funciona”, ou “isso não é para mim”, ou mesmo “o mercado/política/governo/minha mãe me atrapalharam”. Não cumprir as etapas nos faz desistir cedo demais e pode inclusive causar stress e depressão.[2]

E nem eu nem você queremos isso.

No caso do Jiu-jitsu, era impossível chegar na faixa-preta antes de conquistar as outras faixas: primeiro, deveria conquistar a faixa-azul, depois a faixa-roxa, em seguida a marrom e finalmente a faixa-preta. E todo esse processo levou 9 anos.

O que você pode fazer agora: Faça uma lista em uma folha de papel ou computador, que responda:  Quais são as etapas que preciso concluir antes de alcançar meu objetivo e conquistar o benefício?

Seu raio de ação não passa do seu exato momento – entenda o seu benefício futuro, mas aja agora.

Entender o benefício e as etapas é bonito, essencial e te dá uma ótima perspectiva do que você deve fazer para alcançar seu sucesso.

Mas isso ainda está muito na teoria e minha proposta aqui é te ajudar! Porém, imagino que até aqui você já tenha definido qual o benefício você terá e quais as etapas para alcançá-lo.

Uma das coisas que você vai ouvir falar muito quando estudar sobre produtividade é a respeito de agir, fazer e realizar agora.

O problema é que se você não sabe o que quer e nem como chegar lá, simplesmente vai fazer qualquer coisa, perder o foco e não será persistente – e gerando todos aqueles problemas que listamos.

Veja que por mais que se tenha clareza sobre o que quer alcançar com esse projeto e por melhor definidas que estejam as etapas, o seu raio de ação não passa do que você pode fazer agora. “O amanhã não nos pertence”!

No filme “A Sociedade da Neve”[3], documentário a respeito de um acidente aéreo ocorrido na década de 70 com jovens atletas uruguaios, 16 sobreviventes relataram todos os desafios que tiveram por ficar 62 dias no meio das cordilheiras, com neve a uma temperatura de -25º e sem comida.

Dentre os relatos que mais me chamaram a atenção, destaco a frase de um sobrevivente quando começou a escalar as montanhas “eu sabia que precisava subir a montanha, mas não olhava nem para cima nem pra baixo, meu raio de ação estavam nos 15 metros que eu precisava escalar”.

Veja que ele tinha clareza do benefício (escapar de uma situação trágica e voltar para a sociedade), sabia das etapas (escalar montanhas e aguentar a fome e a neve) mas sua ação estava na próxima pedra que tinha que pisar, no próximo galho que tinha que agarrar, no companheiro que tinha que ajudar, enfim, os 15 metros em volta dele. Esse era o raio de ação!

O que você pode fazer agora: Veja as etapas que você deve percorrer e defina  quais são as ações que posso fazer agora e que vão me levar para a próxima etapa?

Comemore as pequenas conquistas

Até aqui, você já deve ter mapeado os desafios que deseja concluir – e imagino que você tenha pensado algo como “puxa, vai ser difícil!”.

E é por isso que você precisa comemorar as pequenas conquistas! Afinal, você sabe que cada pedra que escala foi fundamental para andar um pouco mais.

No jiu-jitsu, não bastava querer pegar uma faixa. Eu tinha que treinar e isso significava lutar contra meus colegas na academia, apanhar e vencer faziam parte e quando eu vencia, comemorava internamente.

Eu não gritava para o mundo, nem ia beber champagne para comemorar uma vitória na academia, mas é como resolver uma fórmula matemática: quando você resolve, fica feliz com sua capacidade e vale pelo menos um sutil sorriso!

Essas pequenas conquistas são fundamentais para a continuidade, para manter a perseverança – ou seja, para ser persistente.

Cada golpe que eu encaixava certo era uma micro-vitória e eu seguia esse caminho com entusiasmo.

O que você pode fazer agora: faça uma lista com as próximas 3 atividades que irá concluir nas próximas horas. Quando concluí-las, dê uma pausa e beba um café (ou algo que você possa considerar uma recompensa). Mas faça com que isto esteja condicionado à uma pequena conquista.

Quando você se acostumar com isso, até seu café ficará mais saboroso! Você cria uma ancoragem de conquista com beber café e intuitivamente seu cérebro associará a conquista ao prazer de tomar café (ou a outra recompensa que você quiser).

Acostume-se a receber recompensas pequenas e assim terá preparo para receber a recompensa maior, quando concluir todas as suas tarefas.

Quando sentir que é o caminho, aperte o passo

Já percebeu que quando estamos procurando algum lugar que nunca fomos, mesmo colocando no Waze ou perguntando para outras pessoas, vamos mais devagar? Já quando tomamos consciência de onde estamos indo, aceleramos e vamos com tudo.

Afinal, correr para o total desconhecido é loucura.

Assim como para encontrar um caminho, no jiu-jitsu buscamos a finalização do adversário – que pode vir por estrangulamento ou utilizando alavancas para colocar pressão contrária em alguma articulação do adversário (como joelhos, braços, ombros, pés e mãos).

É normal que nessa busca pela finalização, algum golpe não se encaixe perfeitamente e podemos voltar atrás. Mas quando sinto que o golpe encaixou, seguro até o fim, por mais resistente que o adversário seja – eu sei que uma hora ele vai desistir. O erro seria pensar que de tão resistente, não iria funcionar naquele adversário (ou situação), por mais convicto que estivesse da qualidade da técnica aplicada.

Com nossos projetos é assim – tem horas que tomamos decisões que sabemos que não foram corretas, mas a partir do momento em que conseguimos encontrar o caminho que consideramos o mais certo, é necessário colocar força e velocidade para concluir aquela ação mais rápido!

O que você pode fazer agora: pare por 15 minutos, assiste esse vídeo e liste todas as atividades que você possui. A partir disso, o seu objetivo deverá ser concluí-las o mais rápido – e para isso você precisa saber priorizar. Para cada tarefa, coloque um número de 1 a 4, sendo que:

1- Tarefas urgentes e importantes: devem ser feitas com prioridade;

2- Tarefas urgentes mas não importantes: passe para alguém fazer;

3- Tarefas importantes mas não urgentes: agende prazos de entrega e monte um cronograma para o prazo não ficar apertado. Se necessário, quebre em mais tarefas.

4- Nem importante nem urgente: não faça (por que vai fazer algum que não é nem urgente nem importante?). No máximo, dê feedback para alguém dizendo que não será feito.[4]

Tendo clareza no caminho, você pode acelerar na execução!

Seja persistente e não desista do seu objetivo – mas não tenha medo de desistir de algo que não te traz o benefício desejado.

Aqui fica clara a diferença entre insistência e persistência.

No meu caso, fazer aulas de kart não me ajudariam a conquistar a faixa-preta de jiu-jitsu. Por mais que tivesse começado a praticar kart, isso não me traria meu benefício desejado (a faixa-preta).

Você pode fazer o mesmo!

Talvez você esteja lendo um livro que não aguenta mais. Coloque os exercícios anteriores em prática e reflita – o benefício de concluir a leitura desse livro é o que você deseja?

Se não for, você pode parar de ler esse livro agora e procurar outra atividade para fazer. É inclusive o que o Tim Ferrys[5] recomenda no famoso livro “Trabalhe 4 horas por semana”.

Até porque eu vejo que há uma cobrança intrínseca no mercado para o “leia o máximo que você puder”, quase como um desafio. Mas você não precisar ler nada que não te gere algum benefício.

Kanban – pare de começar e comece a terminar!

Minha última dica para você nesse artigo é conhecer uma metodologia para gerenciar suas atividades e projetos – o Kanban.

O Kanban foi concebido e propagado pela filosofia lean da Toyota [6]– que revolucionou a produção de veículos no mundo, construindo um carro poderoso, eficiente e mais econômico que os concorrentes, seguindo, dentre várias outras, essa metodologia, que visa otimizar a produtividade e reduzir o desperdício (de materiais e de tempo).

O Kanban é utilizado massivamente por startups e até por equipes de vendas, numa visualização de pipeline.

O segredo do Kanban é ser um sistema puxado, ou seja, nunca sobrará recursos e a atividade da frente sempre demanda a de trás. Por exemplo, se hoje você concluir uma tarefas que te exigiu 1 hora para concluir e falta 1 e pouco para acabar seu dia de trabalho, você deverá “preencher” aquela hora vazia com uma nova tarefa da semana de no máximo 1 hora e concluí-la hoje ainda.

Conclusão

E aí, gostou dessas dicas?

Acredito que se você seguir essa dicas, começará a ser uma pessoa mais persistente. Eu mesmo releio esse artigo (não por vaidade) quando sinto que preciso recuperar minha resiliência. E funciona : ]


[1] “O que separa a persistência da insistência em … – Exame – Abril.com.” 30 ago. 2013, http://exame.abril.com.br/pme/o-que-separa-a-persistencia-da-insistencia-em-empreendedores/. Acessado em 2 jan. 2017.

[2] “Procrastinação pode causar estresse e depressão, dizem – O Globo.” 17 jan. 2016, http://oglobo.globo.com/sociedade/procrastinacao-pode-causar-estresse-depressao-dizem-especialistas-18492564. Acessado em 2 jan. 2017.

[3] “A Sociedade da Neve (O Filme) Legendado – YouTube.” 24 jan. 2014, https://www.youtube.com/watch?v=ltdfC2zYcMY. Acessado em 2 jan. 2017.

[4] “Sheena Iyengar: A arte de escolher | TED Talk | TED.com.” https://www.ted.com/talks/sheena_iyengar_on_the_art_of_choosing?language=pt-br. Acessado em 2 jan. 2017.

[5] “Timothy Ferriss – Wikipédia, a enciclopédia livre.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Timothy_Ferriss. Acessado em 2 jan. 2017.

[6] “Kanban – Wikipédia, a enciclopédia livre.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Kanban. Acessado em 2 jan. 2017.


Marcos Lenine
Marcos Lenine

Eu ensino empreendedores e seus times a dominarem o Marketing para construir caminhos de crescimento para seus negócios. Nos últimos anos, fiz 9 lançamentos de produtos digitais que juntos faturaram mais de 20 milhões. Sem milagres, mas sim com bons produtos, processos eficientes e pessoas altamente comprometidas. Fiz parte também do maior case de crescimento de Imobiliária no Brasil, onde pude ajudar a Casa Mineira Imóveis a se destacar como a principal imobiliária de imóveis prontos no Brasil. Trabalho com Marketing Digital desde 2011 e pude lançar projetos de grandes empresas como Fiat, Audi , ALE Combustíveis.